Publicada em 26/04/2007 às 18:11 Extra online
BRASÍLIA - A América Latina e o Caribe são as regiões que mais desenvolveram a educação na primeira infância no mundo, com alto nível de acesso e participação na educação primária. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), os países da América Latina, entre eles o Brasil, têm atualmente mais de 90% de taxa de matrícula na educação primária. É o que consta do Relatório do Monitoramento Global do Educação para Todos 2007, divulgado nesta quinta-feira, em Brasília.
- A região da América Latina e do Caribe é a região que neste período mais cresceu em relação ao atendimento. Porém, esse atendimento ainda é muito aquém em relação ao que queremos - diz a representante em educação infantil da Unesco no Brasil, Alessandra Schneider.
Segundo a Unesco, apesar das altas taxas de matrícula, o Brasil ainda tem cerca de 800 mil crianças em idade escolar primária fora da escola. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD/IBGE), apenas 13% das crianças até três anos freqüentam creches, e em torno de 70% das crianças de quatro a seis anos freqüentam a pré-escola.
O presidente da Comissão de Educação do Senado Federal, Cristovam Buarque (PDT-DF), afirma que é um engano pensar que a educação já foi universalizada no Brasil.
- Universalizar não é matricular. Porque matrícula não significa freqüência, freqüência não significa assistência, assistência não significa estudo, e estudo não significa aprendizado. Universalizar é o aprendizado, e aí não temos mais que 18% dos que terminam o ensino médio. Estamos jogando fora 82% dos cérebros brasileiros - diz o professor.
A representante da Unesco explica que ainda é um desafio para os países em desenvolvimento prover educação e cuidados na primeira infância, período que compreende o nascimento até o ingresso da criança no ensino fundamental.
- É nos primeiros anos que vida que se estabelecem as bases, os alicerces das competências e habilidades futuras. Então, é no início da vida que a criança aprende a aprender. Até os três anos, 90% das conexões cerebrais, que são a base física das competências, depois do pensamento simbólico, da memória, da capacidade de estabelecer empatia, de conseguir se colocar no lugar no outro, fazer uma interpretação da fisionomia, compreender os sentimentos, tudo isso se estabelece muito precocemente durante os primeiros anos de vida - disse Alessandra.
No mundo inteiro, há cerca de 77 milhões de crianças fora da educação primária (dados de 2004), sendo que as meninas são responsáveis por 57% de todas as crianças fora da escola. Atualmente, existem 94 meninas na escola primária para cada 100 meninos. A diferença na educação de meninos e meninas ocorre principalmente no Afeganistão (44 meninas para 100 meninos), na República Centro-Africana, no Chade, em Níger, no Paquistão e no Iêmen.
- O direito à educação é fundamental. A Unesco acha que a educação é a chave não só do desenvolvimento, mas da construção de uma cultura da paz - afirmou o representante da Unesco no Brasil, Vicent de Fourny.
Assegurar o acesso de todas as crianças em idade escolar à educação primária completa, gratuita e de boa qualidade e eliminar as disparidades entre gêneros na educação são duas das seis metas de Educação para Todos (EPT). As metas foram assumidas em Dakar (Senegal, 2000), por ocasião do Fórum Mundial de Educação. Até 2015, os países se comprometeram a cumprir as seis metas.
As outras quatro metas são: expandir e melhorar a educação e os cuidados na primeira infância; ampliar as oportunidades de aprendizado dos jovens e adultos; melhorar em 50% as taxas de alfabetização de adultos e melhorar todos os aspectos da qualidade da educação.
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