Agência Brasil
BRASÍLIA - O número de crianças que deveriam estar na educação primária mas ainda estão fora da escola diminuiu entre 1999 e 2004 em torno de 21 milhões, sendo atualmente de 77 milhões no mundo inteiro . Apesar da queda, o número ainda é considerado alto e inaceitável. O ensino na primeira infância é o tema do Relatório do Monitoramento Global Educação para Todos 2007 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), divulgado nesta quinta-feira, em Brasília. A África Subsaariana, o Sul e Oeste da Ásia são as regiões com a maior concentração de crianças fora da escola, segundo a Unesco. Dois fatores são comuns a essas crianças: moram em área rural e suas mães têm baixa escolaridade.
América Latina e o Caribe são as regiões que mais desenvolveram a educação na primeira infância no mundo, com alto nível de acesso e participação na educação primária. De acordo com a Unesco, os países da América Latina, entre eles o Brasil, têm atualmente mais de 90% de taxa de matrícula na educação primária.
- A região da América Latina e do Caribe é a região que neste período mais cresceu em relação ao atendimento. Porém, esse atendimento ainda é muito aquém em relação ao que queremos - diz a representante em educação infantil da Unesco no Brasil, Alessandra Schneider.
Segundo a Unesco, apesar das altas taxas de matrícula, o Brasil ainda tem cerca de 800 mil crianças em idade escolar primária fora da escola. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD/IBGE), apenas 13% das crianças até três anos freqüentam creches, e em torno de 70% das crianças de quatro a seis anos freqüentam a pré-escola.
O presidente da Comissão de Educação do Senado Federal, Cristovam Buarque (PDT-DF), afirma que é um engano pensar que a educação já foi universalizada no Brasil.
- Universalizar não é matricular. Porque matrícula não significa freqüência, freqüência não significa assistência, assistência não significa estudo, e estudo não significa aprendizado. Universalizar é o aprendizado, e aí não temos mais que 18% dos que terminam o ensino médio. Estamos jogando fora 82% dos cérebros brasileiros - diz o professor.
O estudo constatou também que o gasto dos países com a educação como parte do Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de todas as riquezas de um país - caiu em 41 dos 106 países avaliados pela Unesco, entre 1999 e 2004.
O documento aponta ainda que um em cada cinco adultos ainda não são alfabetizados no mundo, o que equivale a 781 milhões de pessoas. Desse total, dois terços são mulheres, cuja maioria mora no Sul e no Oeste da Ásia, na África Subsaariana e no Leste da Ásia.
No relatório, a Unesco também afirma ser preciso direcionar os gastos públicos, garantindo o financiamento de elementos essenciais para alcançar as metas do Educação para Todos: professores; educação e cuidados na primeira infância; e alfabetização de adultos.
O lançamento do relatório coincide com a Semana de Educação para Todos. Este ano, o objetivo é chamar a atenção do mundo para a meta assumida no Fórum Mundial de Educação em Dakar (Senegal, 2000), de reduzir pela metade o número de analfabetos até 2015.
Fonte: Extra online 14/05/2009
sexta-feira, 15 de maio de 2009
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